O Caminho do Amor – Capítulo 41

Capítulo 41

 

O dia amanhece esplendoroso. Depois do desjejum, Darvi nos mostra um encantador e rústico quartinho rodeado de janelas imensas que dão para o vale e nos convida para passarmos mais uma noite aqui. Além disso, ele nos dá de presente bandeiras de orações e duas écharpes de seda tibetanas chamadas Kathags (pronuncia-se Kátas). Tradicionalmente, quando um lama do budismo tibetano visitava outro lama, ele levava Kathags para expressar a alegria pela dádiva daquele encontro. Florencio escolhe uma Kathag de cor branca, que purifica a emoção do orgulho e simboliza o elemento éter. Eu escolho uma vermelha, que purifica o desejo e simboliza o elemento fogo. A generosidade de Darvi é tocante. É impossível recusar sua oferta.

Deixamos nossas coisas no quarto e voltamos para a frente do albergue, onde os peregrinos se reunem ao redor de mesas de mandeira. De repente, eu noto um asiático sentado mais ao longe. Comento com Florencio:

_Olha aquele cara! Interessante, não?

_Nossa, ele parece um ninja!

_Vai lá falar com ele.

_Eu não! Não tenho coragem.

Ele brinca e eu sorrio. Às vezes Florencio é um menino. Outras vezes sou eu a menininha.

_Então eu vou.

Vou até o fulano e pergunto em inglês:

_Olá, tudo bem? Quem é você? De onde é?

_Sou do Japão. Sou fotógrafo e estou caminhando com meu amigo. Estamos fazendo um livro sobre o Caminho. Ele escreverá os textos e eu farei as fotos.

_Nossa, que legal!

Resolvo chamar Florencio e apresentá-los. De repente, o tipo olha intensamente para nós dois e sugere em um inglês com sabor de yakisoba:

_Vocês têm ótima aparência. Posso tirar umas fotos de vocês?

_Claro! – Nós dois concordamos, divertidos.

_Então, por favor, escolham um corno cada um.

Qual não é a nossa surpresa quando ele começa a tirar vários cornos de cores e tamanhos diferentes da mochila! _Ele são para as fotos. Vocês vão colocar um desses cornos na testa, como um unicórnio. – ele explica.

_Eu quero esses cornos para mim! – Florencio exclama, animadíssimo, salivando pelos novos brinquedinhos.

_Infelizmente não posso oferecê-los a vocês, pois apenas tenho estes. Mas depois prometo que mandarei o livro por correio. – O japonês está seríssimo. Logo, ele levanta e nos pede para nos posicionarmos com os cornos colados à testa. Outros peregrinos passam e olham curiosos enquanto o fotógrafo grita as ordens:

_Vira a cabeça mais para a esquerda. Um pouquinho mais para baixo. Que tal olhar para cima? Isso mesmo. Não se mexa! Agora a luz está perfeita!

Depois de nos proporcionar uma hilária sessão de fotos, o peregrino fotógrafo segue caminho. Florencio, Darvi e eu nos acabamos de tanto rir. Ao mesmo tempo, em meio à diversão, lembro-me que em várias culturas o unicórnio simboliza o poder e a pureza da alma, a cura e a alegria, a abundância e a fertilidade. Na alquimia, ele tem a ver com o casamento alquímico, ou seja, a união interna e externa do feminino com o masculino e a revelação divina que advém disso. De uma maneira engraçada, além de todas as bênçãos, hoje o Caminho nos presenteou com esta bela mensagem. Nunca pensei que pudéssemos ficar tão alegres com um colossal corno plantado no meio da testa. Nada como as boas surpresas do caminho espiritual.

Próximo capítulo na quarta-feira que vem.

http://www.facebook.com/#/antonellazara?ref=profile

http://antonellazara.wordpress.com/

www.antonellazara.com

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Connecting to %s

Follow

Get every new post delivered to your Inbox.